Manual do piloto · 20 pontos

Como pilotar para wakeboard e wakesurf

Quem está no volante decide metade da sessão. Velocidade estável, linha reta e um resgate bem feito valem mais para quem está na água do que qualquer opcional do barco. E quase tudo isso se aprende rápido, desde que alguém conte.

A diferença

Não é pilotar uma lancha

Numa lancha de passeio, o objetivo é chegar. Num barco de wake, o objetivo é manter uma condição: velocidade exata, marola limpa e água preservada para a próxima passada. São habilidades diferentes, e a segunda ninguém aprende sozinho.

A boa notícia é que o essencial cabe em cinco assuntos. Como puxar sem dar tranco, que velocidade usar, como manter a linha reta, como buscar quem caiu sem estragar a água, e como manobrar um barco de motor de centro. É isso que vem abaixo.

Vale dizer também como isso costuma acontecer na prática por aqui: na entrega do barco, o Marreco sai na água com o comprador e passa o barco inteiro — sistemas, lastro, regulagem da onda e como puxar. É a forma mais rápida de aprender tudo que está nesta página, e boa parte do que não cabe em texto nenhum.

Referência rápida

Velocidade e cabo

Ponto de partida, não regra fechada. Peso a bordo, formato do casco e preferência de quem anda mudam esses números. Ajuste conversando com quem está na água.

ModalidademphCaboComo fica a marola
Wakesurf10 a 11,520 a 25 pésOnda curta, com parede limpa e empurrão. Alguns barcos surfam bem já a 8 mph.
Wakeboard iniciante15 a 1855 a 60 pésMarola estreita e macia no impacto, que perdoa erro de aterrissagem.
Wakeboard intermediário19 a 21,565 a 70 pésRampa sólida, com transição limpa para saltar de uma marola à outra.
Wakeboard avançado22 a 24,575 a 80 pésMarola larga e vertical. Cabo mais longo abre a rampa e dá mais tempo de ar.

Bloco 01

O arranque

É onde o piloto mais atrapalha sem perceber. Tranco na largada tira o manete da mão e machuca a lombar.

  1. Estique o cabo em marcha lenta

    Com a pessoa já posicionada na água, engate à frente sem acelerar e deixe o cabo desenrolar até ficar sob leve tensão. Barco que idle mais alto pode precisar de engata e desengata para não puxar cedo demais.

  2. Espere o sinal, sempre

    Nunca acelere antes do polegar para cima ou do “pode ir”. Quem está na água é quem sabe se a prancha está no lugar certo.

  3. No wakeboard, acelere progressivo

    Leve o manete a uns dois terços do curso ao longo de dois a três segundos, sem chicotada. Deixe o empuxo do motor tirar a pessoa da água em vez de arrancar.

  4. No wakesurf, mais suave ainda

    Aqui a prancha está solta nos pés. A aceleração precisa ser mais lenta que no wakeboard, para a água prensar a prancha contra o pé antes de a pessoa ficar de pé. Pressa nessa hora derruba.

Bloco 02

Velocidade e linha reta

Um erro de 1 mph muda a onda visivelmente. E a trajetória do barco muda tanto quanto a velocidade.

  1. Use o controle de velocidade

    Se o barco tem piloto automático por GPS, use. Nenhum piloto humano segura a velocidade com a precisão que a onda de wakesurf exige, e a diferença aparece em toda passada. Sem ele, mire o velocímetro e aceite que vai oscilar.

  2. Escolha um ponto na margem e mire nele

    Um morro, uma árvore alta, uma casa. É o que mantém a linha reta de verdade. Dirigir olhando para trás é como o barco começa a serpentear sem o piloto notar.

  3. Não acompanhe a curva da represa

    Se o braço da represa faz uma curva suave e você a acompanha o tempo todo, um lado da marola fica bom e o outro enrola. Ande reto o máximo que der, faça a curva de uma vez e siga reto de novo.

  4. Peso distribuído por igual

    Marola boa de um lado e lavada do outro quase sempre é gente sentada torto, não defeito do barco. Peça para alguém mudar de lugar na direção do lado ruim e ela limpa na hora.

Bloco 03

O resgate de quem caiu

É a manobra que separa piloto bom de piloto que estraga a represa para todo mundo — inclusive para o próprio atleta.

  1. Manete em neutro assim que a pessoa cair

    Tire a aceleração antes de qualquer outra coisa e deixe a marola de trás passar. Barco parado não gera onda; barco acelerando em curva gera onda em todas as direções.

  2. Vire para o lado oposto ao da onda

    Esta é a regra que quase ninguém conhece e que muda tudo no wakesurf. Se a pessoa surfava à direita, vire à esquerda. O lado da onda é o lado com mais lastro, então o barco já quer virar para o outro lado sozinho. Virar para o lado da onda faz o barco dar meia-volta contra as próprias ondas, que sobem pela proa e podem embarcar água.

  3. Comece a virada ainda com o barco andando

    Em vez de esperar parar por completo, inicie a curva enquanto o barco ainda desliza. Você chega mais rápido em quem caiu e evita atravessar as próprias ondas na volta, que é o que faz a pessoa esperar a água acalmar antes de tentar de novo.

  4. Volte em marcha lenta, pelo mesmo trilho

    Nada de acelerar na volta. Marcha lenta preserva a água para a próxima passada, para os outros barcos e para as margens.

  5. Aproxime com a pessoa do seu lado

    Traga o barco de forma a manter quem caiu do lado do piloto, sempre à vista. Perder a pessoa de vista perto do barco é como acontece o pior tipo de acidente.

Bloco 04

Segurança inegociável

O que não admite exceção, por mais experiente que seja quem está a bordo.

  1. Wakesurf só atrás de motor de centro

    No wakesurf a pessoa fica a poucos metros da popa, sem cabo. Barco de popa ou de rabeta tradicional tem hélice exposta atrás, e uma queda para a frente nessa direção é potencialmente fatal. Só é seguro em barco de motor de centro, com a hélice sob o casco, ou com rabeta de hélice dianteira.

  2. Motor desligado antes de alguém subir

    Ao chegar perto de quem está na água, desligue a ignição. Não basta pôr em neutro. Ninguém sobe pela plataforma nem nada ao lado do barco com o motor rodando.

  3. Distância de margens, trapiches e barcos parados

    Barco lastreado gera onda com muita energia, que continua viajando depois que você passou. Mantenha distância confortável de trapiche, praia e embarcação ancorada. Erosão de margem e barco batendo no atracadouro têm origem quase sempre em wake boat passando perto.

Corte lateral dos três tipos de propulsão: V-drive com motor na popa e direct drive com motor no centro, ambos com hélice e leme sob o casco, e rabeta com a hélice exposta atrás da popa
Por que a regra existe. No V-drive e no direct drive a hélice fica sob o casco, à frente da popa. Na rabeta ela fica exposta atrás — bem onde o surfista cai.

Bloco 05

Manobra e atracação

Barco de motor de centro manobra diferente de tudo que você já pilotou. Vale saber antes de chegar na marina cheia.

  1. Entenda por que a ré é diferente

    Em marcha à frente, a hélice joga água direto no leme e o barco responde na hora. Em marcha a ré isso não acontece: o leme fica sem fluxo e perde muito da eficácia, enquanto o torque da hélice empurra a popa para um dos lados por conta própria. Não é defeito, é como esse tipo de barco funciona.

  2. Descubra para que lado a sua popa vai

    Cada barco puxa a popa para um lado na ré, dependendo do sentido de giro da hélice. Teste em água livre, longe de tudo, e memorize. Depois disso a ré deixa de ser sorte.

  3. Aproxime em ângulo, não paralelo

    Chegue ao píer em marcha lenta, num ângulo suave, mirando a proa no ponto de amarração. Ponha em neutro alguns metros antes e deixe o barco correr por inércia.

  4. Use o toque de ré como freio e alinhamento

    Perto do píer, vire o leme para fora e dê um toque curto de ré. Além de frear, o giro da hélice traz a popa para o lugar. Feito na hora certa, o barco encosta paralelo sem ninguém precisar empurrar.

Dúvidas frequentes

Sobre pilotagem

Qual a velocidade certa para puxar wakeboard e wakesurf?

No wakesurf, entre 10 e 11,5 mph, e alguns barcos surfam bem já a 8 mph. No wakeboard depende do nível: 15 a 18 mph para quem está começando, 19 a 21,5 mph no intermediário e 22 a 24,5 mph no avançado. Um erro de 1 mph muda a onda de forma visível, e é por isso que o controle de velocidade por GPS faz tanta diferença.

Para que lado eu viro o barco quando o surfista cai?

Para o lado oposto ao da onda. Se a pessoa surfava à direita, vire à esquerda. O lado da onda é o lado com mais lastro, então o barco já tende a virar para o outro lado naturalmente. Virar para o lado da onda faz o barco dar meia-volta contra as próprias ondas, que sobem pela proa e podem embarcar água. É a regra que mais gente desconhece.

O que é power turn e por que evitar?

É acelerar forte numa curva fechada para buscar quem caiu. Parece rápido e é o contrário: espalha ondas em todas as direções, estraga a água para todo mundo na represa e ainda obriga o seu próprio atleta a esperar tudo acalmar antes de tentar de novo. O certo é tirar a aceleração, deixar a marola passar e voltar em marcha lenta.

Posso puxar wakesurf com lancha de rabeta ou motor de popa?

Não. No wakesurf a pessoa fica a poucos metros da popa e sem cabo, e nesses barcos a hélice está exposta atrás. Uma queda para a frente nessa direção pode ser fatal. Wakesurf só atrás de barco com motor de centro, onde a hélice fica sob o casco, ou com rabeta de hélice dianteira. Para wakeboard, com o cabo longo, a conversa é outra.

Por que a ré do barco de wake é tão difícil?

Porque o leme fica atrás de uma hélice que não gira com a direção. Em marcha à frente a hélice joga água no leme e o barco responde na hora; em marcha a ré o leme perde fluxo e o torque da hélice empurra a popa para um dos lados sozinho. Cada barco puxa para um lado. Descubra qual é o do seu em água livre e a atracação deixa de ser sorte.

Quer aprender na água?

Ler ajuda, mas pilotar se aprende pilotando, com alguém do lado dizendo o que corrigir. É por isso que a entrega do barco aqui costuma incluir uma sessão na água: o Marreco sai com você e passa sistemas, lastro, regulagem da onda e como puxar. E depois dela continua valendo chamar quando surgir dúvida.

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